Não é fácil ser como somos. Não é fácil todos os dias aceitarmos o confronto entre os nossos sonhos e as nossas expectativas e tudo aquilo que é real, tudo o que somos ou não capazes de fazer.
Não é fácil levantarmo-nos de manhã e esperarmos que chegue o momento de voltar para os nossos lençóis quentinhos, desejando secretamente que o sono venha rápido e que nos deixe de tal forma envolvidos que não dê tempo para que o medo e angústia se sementem nos nossos corações.
Não é fácil ser sempre determinado, calar as dúvidas e avançar. Não é fácil querer o que sabemos que não podemos ter. Não é fácil darmos tudo e vermos os nossos bolsos cheios de nada.
Não é fácil esquecermos as batalhas que perdemos, mesmo quando conseguimos alguma vitória. Não é fácil desfrutarmos do que bom nos rodeia sem nos recordarmos de que em algum momento tivemos algo de diferente (não tem necessariamente de ter sido melhor).
Não é fácil aceitarmos que às vezes somos frágeis. Não é fácil assumirmos que estamos errados. Não é fácil seguirmos o caminho certo quando tudo o que apetece é voltar atrás e fazer tudo mal outra vez. Não é fácil.
Não é fácil viver. Por isso, enquanto os grandes se ocupam a fazê-lo, com muita mágoa, muitas noites de choro, muito cansaço, horas incontáveis de cabeça cheia e coração partido, os pequenos limitam-se a sobreviver, utilizando a palavra desistir como vocabulário principal.
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